levitra

| Blogspocc

Documentação sobre a luta dessas populações para permanecerem em seus territórios

Primeiro dia da auto-demarcação da RDS de Pau Preto

Integrantes da Escola Popular de Comunicação Crítica (Observatório de Favelas), Imagens do Povo, UFF e UFRJ, acabam de realizar, em conjunto com as associações das comunidades Vazanteiras de Pau Preto, Pau de Légua e Lapinha, dos municípios de Matias Cardoso e Manga, em Minas Gerais, uma documentação sobre a luta dessas populações para permanecerem em seus territórios. O objetivo é dar visibilidade às comunidades que vivem às margens do Rio São Francisco e sofrem com o descaso e a falta de diálogo do poder público, através do blog Vazanteiros em Movimento (http://vazanteirosemmovimento.wordpress.com), que integra artigos, fotografias e vídeos que trazem depoimentos dos ribeirinhos sobre sua cultura, história de luta e a atual situação em que se encontram.

Neste Momento, 105 famílias de três comunidades vazanteiras do rio São Francisco esforçam-se para dar corpo a um sonho comum, de viverem em seus territórios tradicionais com liberdade. No dia 24 de julho deste ano essas famílias retomaram a ex-sede da Fazenda Catelda e deram início à autodemarcação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Pau Preto, dando continuidade a um processo que vem sendo negligenciado pelo Estado desde 2006, quando iniciaram as negociações com o Instituto Estadual de Florestas (IEF), órgão que administra o parque Estadual Verde Grande que abrange a fazenda Catelda.

Como argumenta o manifesto distribuído na manhã do dia 24 de julho, a ação iniciada pelo “Vazanteiros em Movimento” tem o objetivo principal de “zelar pelo que é nosso”. Denunciam o descaso com a preservação do bioma próximo ao rio e com os direitos de suas populações, “o Rio São Francisco, suas lagoas, matas e ilhas estão expostos a uma situação de extrema degradação, consequência da inoperância do poder público, que não tem garantido a proteção das águas, nem dos direitos das comunidades ribeirinhas”.

As populações já vêm sofrendo junto com o Rio há muito tempo, devido à postura do poder público. Os controversos programas de desenvolvimento para a região renderam incentivos fiscais para a agropecurária – via Ruralminas -, grande projetos de irrigação como o Projeto Jaíba (o maior da América Latina), hidrelétricas e, mais recentemente, a transposição e os parques. Em cada etapa destes processos, as populações do rio se viam afetadas, porém sem voz, tendo que absorver os impactos sociais e ambientais e sendo pressionadas a deixarem seus territórios.

O blog será atualizado semanalmente com novos vídeos, fotografias e notícias sobre o processo de retomada de território, no esforço de que possa repercutir nacionalmente a luta dos vazanteiros, dando mais visibilidade para essas populações tradicionais que reivindicam seus territórios. Além de ser uma alternativa para essas comunidades, carentes de uma cobertura mais honesta das grandes mídias, sem aquela visão parcial e superficial, em que as famílias locais são tachadas de invasoras apenas porque reivindicam as obrigações do governo. Pois, como bem assinala Zé Alagoano da comunidade de Pau Preto, “é o estado que não está cumprindo com seus deveres, nós tamo cumprindo, então foi obrigado nós tomá essa atitude.”