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A criação de novas narrativas para a humanização do indivíduo

Thamyra Thâmara

 

 

O segundo dia do Preliminares rolou no parque da Luz, reunindo ativistas, coletivos, movimentos sociais e indivíduos da sociedade civil, procurando novas formas de se engajar em pautas sociais, numa roda de debates no coreto do parque que teve como ponto de partida a narrativa ‘Mídia, Ativismo e Ocupação’. A discussão se pautou no entendimento de que a cidade está se reinventando e cada vez mais é preciso discuti-la a partir de leituras plurais e autônomas.
O primeiro ponto do debate girou em torno do “Nova Luz”, o projeto de revitalização do bairro de Santa Ifigênia Luz, criado pela prefeitura e aprovado na câmera em 2007, baseado na lei de concessão urbanística. O plano prevê a autorização para que grandes construtoras, principalmente as internacionais, tenham o poder de desapropriação do solo central para a criação de novos edifícios mais modernos.


“As casas serão demolidas e que garantia reais os moradores tem para que não serão engolidos pela especulação imobiliária?”, indagou Paula Ribas, jornalista e presidente da associação de moradores ‘Ama Luz’.
Para a prefeitura a revitalização do bairro de Santa Ifigênia Luz, vem como uma alternativa para mudar o espaço urbano que, atualmente, tem sido considerado como uma das cracolândia da cidade de São Paulo. Porém, o projeto não propõe alternativas de relocação da população de rua ou tratamento para usuários de crack.
“Nova Luz não é uma revitalização, porque tem muita vida no bairro que não está sendo considerada. Os moradores querem continuar morando em suas casas, mas também querem novas alternativas para a população de rua que não pode ser invisível para o governo”, afirmou Ribas

Durante a roda de debate, várias pessoas se manifestaram sobre as vivências em suas cidade com a questão da cracolândia, que tem sido uma um problema de pauta nacional. “Os usuários de crack são visto como problema sendo que na verdade eles são parte de um processo anterior, de descaso, desigualdade, falta de moradia, emprego…”, declarou Rafael Vilela, fotógrafo da Casa Fora do Eixo São Paulo.


Vilela contou um pouco da vivência que a Casa Fde SP teve com a cracolândia do bairro esse ano, produzindo um documentário com os usuários a partir da perspectiva deles, procurando quebrar preconceitos e paradigmas. “Acredito que a comunicação visual, essa comunicação imagético vem como uma ferramenta para mostrar novas realidades possíveis, quebrando aquela narrativa já pré estabelecida pela grande mídia”, destacou.
Dentro da contemporaneidade os usuários de crack ou os moradores de rua acabam se confundindo com a própria paisagem ou arquitetura da cidade. Eles se locomovem, dormem, morrem, mas só são notados quando “quebram” a dinâmica da estética da cidade ou quando interferem diretamente na vida das pessoa ‘produzindo’ medo.
O imaginário ‘cracolândia’ criado pela mídia hegemônica acaba contribuindo pela desumanização desses indivíduos, que viram suspeitos, marginais, criminosos dentro do quadro social. Diante disso, as produções alternativas de conteúdo midiático, vem como uma possibilidade de conceber novas narrativas que quebram o ciclo imaginário vicioso e crie espaço para a mobilização e empoderamento desses sujeitos sociais.