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A mudança começa por nós

Quando se trata de salvar o mundo, não se pode brincar. A Youth Blast, a conferência para jovens do Rio+20, promoveu o encontro de centenas de jovens de todas as partes do mundo para debater questões de sustentabilidade e enviar um documento com as decisões tomadas pelos participantes. O evento foi realizado no Centro de Convenções Sul América, na cidade do Rio de Janeiro. Contudo, quem participou da conferência pôde perceber que a estrutura do
local não condizia com o intuito dos participantes.

As atividades aconteciam principalmente durante o dia, em vez de aproveitar a luz do Sol, o local fechado exigia iluminação artificial e ventilação para circular o ar, gastando mais energia. O estudante e voluntário da Youth Blast, Matheus Bretas, de 18 anos, concorda que a captação de energia solar deveria ser feito, principalmente, em um evento que acontece de dia. Ainda de acordo com o voluntário, ninguém reparou em por lixeiras diversificadas para cada tipo de
material, questionou o porquê de não haver reuso da água e acredita que é preciso ter esses cuidados, “devíamos mostrar como se faz, que aí o evento teria um passo um pouco mais largo”. A professora de geografia do Estado do Rio de Janeiro, Ana Valéria Félix, de 42 anos, também reparou no desperdício de energia na Youth Blast. “Eu contei 13 lâmpadas e ninguém utilizando nenhum estande, é um absurdo”, alerta a professora. Ana ainda chama a atenção
para o uso desnecessário do ar condicionado e finaliza, “isso nos remete a hipocrisia”.

João Scarpelini, representante da ONU na conferência, reconheceu o desperdício de energia no evento, “não estamos sendo coerentes”. Além disto, o representante das Nações Unidas alegou que o exagero de gasto para realização da Youth Blast tentou ser evitado e seguir a linha dos eventos ecológicos. Segundo Scarpelini, a organização rejeitou patrocínios de empresas que não se preocupam com as questões ambientas, mas alguns gastos não puderam
ser cortados. Ainda de acordo com ele, o carpete em todos os cinco mil metros quadrados do centro de convenções teve que ser posto, pois senão alguns ministros não iriam participar. João ainda concorda com a falta de preparo do evento, “concordo com a necessidade de fazer isso (o evento ecologicamente correto), mas muitas vezes a gente acaba sendo incoerente, por exemplo, o fato do lixo (não há coleta seletiva) e a eletricidade que estamos usando,
consumindo num espaço como esse”.

Além da falta de preparo para o impacto ambiental, o evento também não mostrou preocupação com o bolso do participante. Com apenas uma lanchonete e um restaurante dentro do evento, o jovens que não conhecem o Rio de Janeiro tiveram que se contentar com o preço bastante elevado. Um salgado na Youth Blast custava quatro reais, enquanto em lanchonetes no centro do Rio, cerca de dois quilômetros do evento, é fácil encontrar o mesmo lanche por dois reais, a metade do preço. É preciso fazer algo para mudar os conceitos sociais de sustentabilidade e uso consciente do meio ambiente, porém a própria ação de mudança já necessita ser sustentável. João Scarpelini finaliza alegando, “algumas providências tentamos mudar, mas foram impossíveis de fazer. São vários requerimentos que o espaço pede e nós tivemos que conciliar”.