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Cultura e tecnologia na ECO

Há cerca de dois anos, a Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro – Eco, para os íntimos -, espaço que formou alguns dos mais ativos intelectuais contemporâneos, abriu brechas para que não-universitários frequentem suas salas de aula. Desde então as teorias foucaultianas não dominam mais, tão hegemonicamente, os papos-cabeça; nos corredores e nos murais de aviso misturam-se expressões como “circuit bending” e “pedagogia griô”. Num dos laboratórios, um grupo de jovens descobre como transformar limões em biobaterias, e discute como dar a um disco rígido estragado uma nova função.

Tudo isso sob a égide do Pontão da Eco, o único ponto de cultura digital, dentro de uma universidade pública, no Rio de Janeiro – a experiência já foi implantada, com sucesso, em lugares como as Universidades Federais da Paraíba e de Minas Gerais. O Pontão tem a proposta de usar a infra-estrutura do campi para a transferência de conhecimentos, experiências, vivências e tecnologias colaborativas, sobretudo – mas não somente – entre os pontos de cultura. Isso amparado pela ideia de uma educação não-formal, consolidada numa série de atividades e projetos.

Um dos exemplos desse rol de iniciativas são os cursos e oficinas que começam nas próximas semanas, numa parceria com o Núcleo de Cultura Digital da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro: Curso básico de 3D com Blender, de WordPress, Oficina Net Arte, Oficina de animação 2D e 3D com ferramentas livres e Oficina literária: da novela literária à radionovela. Na próxima sexta (4/3) serão divulgados os selecionados para as atividades, bem como para a Universidade Aberta, um dos projetos do Pontão, que consiste em abrir vagas nas disciplinas do currículo de graduação da ECO para integrantes dos Pontos de Cultura e movimentos sociais que não tenham vinculo com a Universidade. Dessa forma, podem explorar a experiência acadêmica no traçado dos usos práticos da cultura digital.

Direitos autorais
“A Universidade Aberta oferece vagas informais dentro da estrutura da Escola. Porque os cursos práticos são melhor aproveitados se acompanham o pensamento sobre a cultura digital, suas questões e embates. Agora mesmo estamos tendo um exemplo de como aliar os dois campos se faz necessária: a discussão sobre os direitos autorais no Brasil”, explica a professora Ivana Bentes, coordenadora geral do Pontão. “Na Universidade Aberta e nos outros projetos do Pontão, trabalhamos com a filosofia da cultura livre, dos softwares abertos, com a inclusão pela tecnologia e todos esses tópicos de discussão que compõem a formação de uma cultura e de uma comunidade digital”.

“Cultura livre”, aliás, é uma palavra-chave no Pontão, onde só são usados softwares abertos. O ilustrador Ricardo Graça, que vai ministrar a próxima oficina de animação do projeto, vai mostrar aos participantes como fazer animações com o programa Blender 3D. “Trata-se de uma ferramenta livre que mesmo os grandes estúdios estão usando”, diz. “Isso abre possibilidades para um uso maior da animação, principalmente pelos pontos de cultura, que podem lançar mão desse recurso para além do entretenimento. A animação pode ser um ótimo recurso para estimular o senso crítico das pessoas, para elaborar reflexões”.

Outro exemplo de atividade do Pontão é o hacklab. Como o próprio nome já diz, é um laboratório de “hackeamento”. Por isso mesmo, difícil dar uma definição a ele. “O hacklab é um local de experimentos, mas é também um processo experimental em si mesmo. Parte da ideia de uma relação imbricada entre funcionamento prático e teórico, que não acredita nesses dois processos dissociados”, tenta explicar Júlio Braga, um dos participantes. “Envolve processos de pesquisa, de construção, de invenção. Trabalhamos com a meta-reciclagem de equipamentos, que é o aproveitamento de determinados materiais da cultura digital, como gabinetes e HDs. Quando acaba a sua vida útil no papel original, damos outra função para eles, e até fazemos arte com isso”.

Colaboração de Juliana Krapp
Retirado do site Cultura.RJ