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Diálogos Espocc F5 – Mulheres De Pedra

 

Por Yasmin Lopes e Gleicilayne Cristina

 

No dia 5 de dezembro de 2015, aconteceu uma edição especial do Diálogos ESPOCC em que se discutiu o poder da tecnologia e da comunicação. Entre os convidados e convidadas para compartilhar experiências e enriquecer o debate, contamos com a presença do Coletivo Mulheres de Pedra.

 

O coletivo foi fundado em 15 de novembro de 2001 fruto de uma co-criação de mulheres, e é composto por artistas plásticas, teatrólogas, professoras, cantoras, artesãs, donas de casa, costureiras, paisagistas, cozinheiras, cineastas, produtoras, e mulheres de outras áreas que influenciam de alguma maneira na cultura da região, essas mulheres são em sua maioria negras. O trabalho delas é desenvolvido no Atelier Massas com Artes, no bairro de Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, daí o nome.

 

Lívia, Roberta e Erika sendo entrevistadas na Diálogos F5. Foto: Rafaela Garcez

Nesse encontro foi colocado em pauta o espaço e a imagem da mulher negra na sociedade e também no audiovisual, temas que andam muito próximos já que o modo como elas são representadas nos filmes e novelas influenciam diretamente nos estereótipos reproduzidos pela sociedade. Não por acaso foram 3 representantes negras, Lívia Vidal, Roberta Costa e Erika Cândido, uma delas (Roberta) inclusive ex-aluna da ESPOCC.

Erika, uma das componentes do coletivo sorrindo com seu filho. Fotógrafa: Andressa Venâncio

Erika, uma das componentes do coletivo, sorrindo com seu filho Gael. Foto: Andressa Venâncio

Isso trouxe a reflexão de como as minorias – destaco aqui a mulher negra – estão ocupando os espaços com os poucos recursos que têm. Essa situação é de extrema importância dentro do audiovisual, uma vez que passamos a escolher e entender nosso lugar na frente das câmeras, exigindo papéis que fujam dos locais já estabelecidos que só servem para afirmar a falsa e cruel imagem que se criou da mulher negra. Um exemplo é a atriz Zezé Motta, que como algumas outras desabafou sobre o racismo sofrido na teledramaturgia, onde após fazer uma análise, é visto que ela como mulher negra recebe em sua maioria papéis de subalternidade, e esse assunto tem sido cada vez mais discutido pois agora fala-se sobre isso. Umas das principais causas é a maior facilidade de acesso à internet e às novas tecnologias, já que as redes sociais trouxeram um espaço para que cada pessoa não só receba como produza conteúdo e possa assim falar por si.

 

Para  desespero de muitos, além de se ocupar o espaço na frente das câmeras, elas também se ocuparam da parte de trás, o que proporciona um poder e autonomia muito grande para as mulheres negras dirigirem, direcionarem e mostrarem seu olhar no audiovisual. Esse movimento acontece de forma independente na maioria das vezes, o próprio Coletivo Mulheres de Pedra produziu o curta Elekô. Nesse filme elas mostram a experiência audiovisual de fazer‐se e afirmar‐se na loucura das condições de ser negra, levando os prêmios de Melhor Curta, Melhor Ficção, Som, Designer e Menção honrosa no festival 72 horas Rio, mais um fato que comprova a potência que temos. O filme retrata o que é ser mulher negra de uma forma tão simbólica que é difícil expressar em palavras o que é sentido, mas antes de tudo ele mostra a união e a força que as mulheres negras possuem quando juntas umas das outras.

Cena do curta Elekô

Cena do curta Elekô

O nome Mulheres de Pedra além de representar as mulheres da Pedra de Guaratiba, representa a resistência de seguir criando seu próprio conteúdo e de ocupar os lugares que não lhes são dados!

 

Confira o vídeo da entrevista:

 

Clique aqui para assistir ao curta Elekô!

Por Yasmin Lopes e Gleicilayne Cristina