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MULHERES EM MOVIMENTO – Por Mariana Rio

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MULHERES EM MOVIMENTO

 

Algumas pessoas podem discordar, mas opressão contra as mulheres ainda é uma realidade. Em pleno século XXI, as mulheres ainda sofrem com a violência e desigualdade.

 

Os dados não mentem e mostram uma realidade cruel para a maior parte das mulheres brasileiras. Dados do PNAD/IBGE 2013 mostram que as mulheres são 51,3% da população, tem um nível de escolaridade, em geral, superior aos homens, mas mesmo assim recebem menos da metade do salário que os homens recebem para uma mesma função. Segundo o levantamento do Mapa da Violência 2012, a cada cinco minutos uma mulher é agredida no Brasil. Desde o nascimento, as mulheres são as principais vítimas de violência sexual em todas as faixas etárias.

 

Minhas Visões

 

 

Esses dados mostram como a ideologia machista está enraizada na nossa sociedade. Já virou algo comum em nosso cotidiano ouvir ou testemunhar relatos nada agradáveis de violência contra a mulher. Diante de uma realidade tão dramática, acredito temos saídas.

 

Diferente das amarras dos séculos passados, as mulheres vêm cada vez mais se rebelado de diferentes formas contra seu cotidiano de opressão.

 

O Feminismo é a palavra da vez nas bocas de celebridades mundo afora; páginas no Facebook sobre a temática tem índices relevantes de audiências; cantoras como Beyoncé e atrizes como Emma Watson vêm sendo determinantes para a popularização desse conceito. Até que ponto essa popularização e maior adesão ao feminismo vai ao X da questão da opressão às mulheres é a ideia do presente texto, onde pretendo discutir um pouco esse tema.

 

O conceito de opressão pode ser definido como “desigualdades para por em desvantagem e submeter um grupo social com base em diferenças raciais, sexuais, nacionais, e de outro tipo”. A origem da opressão a mulher vem de muito tempo atrás, muito antes do capitalismo. Segundo alguns estudiosos, podemos dizer que a opressão à mulher tem como origem a propriedade privada e a acumulação primitiva de capital. Antes da propriedade privada, temos exemplos inclusive de sociedade matriarcais, ou seja, vulgarmente falando, o papel de liderança, divindade e poder é exercido pelas mulheres de forma comunal.

 

Mas uma coisa é certa: o capitalismo mesmo não tendo criado as opressões, sabe se utilizar muito bem delas e transformou o mito da inferioridade feminina em um dos seus pilares. Na divisão social que vivemos, todas as mulheres sofrem opressão. No entanto, na minha opinião, as mulheres trabalhadoras, negras e mulheres transexuais sofrem muito mais, devido às suas posições econômica e social.

 

Para alguns seria óbvia a constatação de que as mulheres trabalhadoras, negras e mulheres trans sofrem uma dupla opressão, mas não é óbvio. Na ideia de parte significativa do feminismo atual, existe uma especificidade na forma como essas mulheres são jogadas fora em nome de um ideal de poder, oriundo das conquistas individuais das mulheres sem distinções de raça, origem social e identificação de gênero. O feminismo de celebridades como Emma Watson, para mim, é incompleto, porque não entende o mundo que vivemos em sua totalidade e contradição.

 

O movimento de mulheres e suas diferentes visões ao longo das décadas, vem cumprindo um papel importante, mas o que eu vejo é que existem limites que devem ser quebrados, senão podemos retroceder diante de um mundo hostil. Se o feminismo das classes médias continuar a ser preponderante, o único que tem voz no movimento, continuaremos a achar normal, por exemplo, as humilhações cometidas por patroas contra empregadas e mulheres conseguirem ser presidente da Volkswagen enquanto outras não tem nem o que comer.

 

Por fim, podemos perceber que as mulheres continuam a ser submetidas à violência, opressão e à exploração no Brasil e no mundo, e que dificilmente essa realidade vai se erradicada. Podemos perceber também que muitas mulheres quando entendem as opressões que vivem se colocam em movimento como forma de combate às mesmas. No decorrer dos séculos, as mulheres arrancaram importantes vitórias, mas estas conquistas são atacadas diariamente. O feminismo, portanto, deve entender e respeitar as especificidades entre as mulheres, pois senão continuará reproduzindo a mesma lógica da opressão que combate.

 

* Mariana Rio é formada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente é aluna do curso de Publicidade Afirmativa com habilitação em Audiovisual na Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC).