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Nem em placas, nem em mídia. Vote em você primeiro.

Por Jéssica Pires

Se o Complexo da Maré não sabia o que era um Flash Mob, no último final de semana não só conheceu, como produziu e fez render. Um grupo de dança independente formado por moradores de favelas do Complexo da Maré com apoio e produção da Agência Escola da Escola Popular de Comunicação Crítica – ESPOCC realizou na tarde de sábado (29) intervenções em pontos da favela Nova Holanda e Parque União na “pegada” do Flash Mob com o tema “Vote em você primeiro”.      

                                                                                    

O objetivo da intervenção é de trazer a reflexão sobre o grande gasto financeiro que há em publicidades e campanhas eleitorais, e o lixo que fica na cidade como consequência do grande volume de material produzido. Além de questionar também, em contrapartida, as precariedades da cidade, em especial o descaso com moradores de rua que sofrem diretamente com a forte presença das campanhas publicitárias nos espaços urbanos. “Acho importante porque assim incentivamos as pessoas a pensaram diferente, a votarem conscientes. Mobilizar pessoas, de varias formas, se for para o bem, e por uma causa boa, acho que devemos nos juntar para tentar mudar alguma coisa nesse pais”, disse Adriana Diah, ao ser questionada sobre a importância de uma produção dessas ser realizada por jovens de espaço popular.

 

A participação do “público espontâneo” que se iniciou de forma tímida, apenas através de fotos e palmas logo foi se expandindo entre os moradores quando das crianças aos mais velhos, todos acompanhavam, de suas próprias janelas, as músicas que fizeram parte do repertório da apresentação. Com uma seleção crítica de músicas como “Brasil”, de Cazuza, “Brasileirinho”, de Waldir Azevedo e “Vem dançar Kuduro” de Robson Moura e Lino Krizz, que abriu a apresentação e chamou atenção de quem passava.

Utilizando placas com a frase do tema da intervenção e vestidos com blusas com as cores da bandeira do Brasil os 14 jovens que dançaram causaram até mesmo uma “indisposição” com a equipe do comício de um candidato a vereador da favela do Parque União. Segundo informações, a equipe pedira aos jovens que aguardassem a passagem do comício para que o Flash Mob ocorresse, pois os eleitores poderiam pensar que a apresentação seria algo contra a campanha do candidato.

   

  “Nós jovens ligamos sim, pra questões politicas, e buscamos da melhor forma, chamar a atenção do povo, pra um assunto que todo mundo devia dar total atenção, ate porque se trata de nos mesmos”, disse Mayara, de 16 anos, também uma das organizadoras da intervenção. O Flash Mob realizado pelo grupo foi o primeiro realizado em favelas no Rio de Janeiro. O grupo de jovens pretende construir de forma autônoma uma rede de grupos de dança, realizando parcerias com grupos de outras favelas e espaços populares para futuras intervenções.