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O Maraca é deles

Alice Flicts

 

 

Segunda mesa de debates desse dia 8, o Preliminares lançou a mesa “O Maraca é nosso, o Maracanã é deles”, sobre os efeitos das obras do Estádio do Maracanã no Rio de Janeiro. A conversa  contou com a participação de Gustavo Mehl, integrante do Comitê Popular do Rio, comissão articuladora das mobilizações ligadas aos efeitos gerados pela Copa.

No final da década 40 o Brasil se responsabilizou por sediar a final da Copa do Mundo. A construção do Maracanã se deu pela necessidade de se criar uma estrutura apropriada para sustentar  um evento de grande porte . O projeto arquitetônico inicial do Maracanã apostou em um estádio que fosse ao alcance de todos  “Havia a preocupação para que o Maracanã fosse feito para todas as classes. Ele era grandioso, cabendo  o maior número de pessoas possível” , ressalta Mehl.

De 1999 para cá três reformas já foram empreendidas no Estádio, utilizando-se em grande maioria do investimento de recursos públicos. Mehl apontou que as obras do Estádio claramente não atendem o interesse esportivo, articulando prioritariamente com o interesse financeiro das grandes empreendedoras que hoje dominam as Obras do Estado.

Hoje a lógica se inverteu, no projeto inicial do Maracanã 80% dos lugares do estádio eram destinados aos setores populares.  A partir da década de 90, há uma transformação na forma de lidar com o futebol e a apropriação das grandes empresas e do turismo do esporte,  o que se inicia com uma elitização das partidas de futebol e dos empreendimentos, não planejando a estrutura dos estádio para uma utilização das massas populares. Para Mehl, a partir desse momento, “investe-se em um estádio mais elitizado, com padrões esportivos europeus”.

A última reforma do Maracanã, iniciada em 2010, estima um gasto de R$ 800 milhões com a obra. E não é apenas isso. O complexo esportivo planejado  prevê a demolição da Escola Friedenreich, considerada uma das dez melhores escolas do Estado e ainda a demolição do Museu do Índio,  um casarão do século dezoito, hoje ocupado por grupos de diversas etnias que lutam pela manutenção de suas raízes culturais.

Segundo Gustavo, esse estádio acaba se consolidando como um monumento da própria cidade. Muito além de uma área esportiva, há uma associação do monumento ao espaço mítico, reconhecido pelos moradores cariocas. Para ele, a chegada da Copa do Mundo retirará do futebol brasileiro sua característica mais fundamental, que diferencia o torcedor brasileiro. “Há um discurso que se fala em progresso, desenvolvimento e civilidade, mas que se esquece de uma característica fundamental da nossa cultura, de relação com o futebol, típica do Brasil”.