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POESIA – Patrícia de Souza

4h da manhã

Ela já está de pé

Escova os dentes

Lava o rosto

Faz café

 

Os filhos já crescidos

Caminham sozinhos para a escola

A menina tem 8 e o menino 12

Antes de sair para o trabalho, orientações:

– Crianças, o café tá pronto. Vão direto para a escola, sem parar em lugar nenhum.

Mamãe ama vocês! Mais tarde tô em casa. Se cuidem!

 

Falou sozinha, as crianças não acordaram

Mas sentiu alívio em deixar café pronto e dizer que ama os filhos

 

É uma guerreira!

Mãe solteira

A menina e o menino não foram gerados pelo mesmo homem

Ambos agiram igual: registraram e sumiram

O pai da menina sugeriu aborto, ela negou

 

Sustenta os filhos vendendo duramente sua força de trabalho

Para empresa que já se sustenta há muito tempo com suas receitas

Sonha em quando conseguirá passar mais tempo com seus filhos

 

Todo dia essa rotina

Todo dia o mesmo sonho

 

Também sonha com a casa própria

Ela possui uma lista deles

 

Seu pai é negro, nascido e criado em Madureira

Jongueiro da Serrinha

Sua mãe é filha de pessoas de pele clara que não chegam a ser brancos

Ela puxou à ancestralidade da avó, que é Potiguar

 

Aprendeu a guerrear com seus pais

 

Nas ruas assobios ignorados, preferia não ouvi-los

 

Nos finais de semana costuma deixar os filhos com os pais e vai curtir

(às vezes as crianças preferem ficar com a vizinha, para brincar com seus filhos)

Ela vai para a quadra da Mangueira e goza de seus relacionamentos casuais

 

Seus pais não sabem, pois a chamariam de irresponsável

 

Ela é uma guerreira!

Mãe solteira

 

Antes de sair para o trabalho, orientações:

– Crianças, o café tá pronto. Vão direto para a escola, sem parar em lugar nenhum.

Mamãe ama vocês! Mais tarde tô em casa. Se cuidem!

 

Falou sozinha, as crianças não acordaram

Mas sentiu alívio em deixar café pronto e dizer que ama os filhos.