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Qual é o papel das redes de comunicação na luta contra a violação de direitos em épocas de mega eventos?

 Thamyra Thâmara

 

Centenas de famílias em todo o Brasil estão sendo destituídas de seus territórios sem aviso prévio e a violação dos direitos humanos  tem sido intrínseca em todo o processo de organização dos mega eventos que o Brasil irá sediar, como Copa do Mundo e Olimpíadas de 2016.  Esse foi o primeiro tema de abertura da mesa “Remoções e Violações de Direitos”, aqui no primeiro dia de encontro do  Preliminares em São Paulo, presentes na mesa A Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa.

 

Famílias de todo o Brasil  tem saído de suas casas para construção de estádios,  aeroportos, comércio, na maioria das vezes sem se quer saber, muitos recebem notificação com 48 horas de antecedência, pedindo para sair se não o trator irar passar em cima de suas casas. “Nas vezes que tem negociação é sempre individual, com o objetivo de inibir articulações de coletivos contra essas ações arbitrárias”, explicou Vitor Coelho Nisida,  da Relatoria de  Direito á Moradia Adequada da ONU.Em muitos casos,  o valor recebido pelas famílias por suas moradias é irrisório. “as pessoas não conseguem se relocar para outro lugar do mesmo nível, ou perto de seu trabalho”, afirmou Nisida.

 

Diante da necessidade de um diálogo mais amplo entre a sociedade e poder público é que a  Agência Pública, uma agência independente de jornalismo investigativo, resolveu criar um dossiê, articulado com os comitês populares, falando sobre a violação de direitos durante os preparativos para a Copa.  “A luta da resistência precisa de organização, mas principalmente de formação, a gente precisa construir informação pra denunciar”, declarou Claudia, arquiteta e urbanista, articuladora dos movimentos sociais ligados às remoções em Porto Alegre e  integrante do Comitê Popular da Copa.

 

O dossiê foi criado com a função principal de ser um instrumento de luta e denúncia contra a violação de direitos que acontece com as remoções. Entre os pontos articulados dentro do dossiê está a necessidade de criar novas alternativas para burlar a postura da grande mídia em ocultar esses fatos de remoção.Dentro desse contexto, como os movimentos sociais, as redes, e os coletivos podem quebrar essa cadeia de narrativa já pré estabelecida?

Um ponto de partida seria cada rede, coletivos e movimentos, articular pautas de direitos humanos se apropiando e hackeando os meios de comunicação, abrindo possibilidades para a utilização de ferramentas midiáticas  na busca de  uma nova narrativa em que essas remoções e seus impactos negativos sejam visibilizados pela massa da sociedade.

 

Nove dias de conspiração em público no Preliminares será uma possibilidade de linkar redes e coletivos que tenham trabalhos que se cruzem e sejam similares, procurando popularizar e  potencializar comitês, ações, intervenções de cunho social , cultural e de relevância no Brasil e no mundo. Um momento único de divisor de águas , criando novas metodologias de empoderamento e articulação de projetos.