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Testemunha ocular das idiossincrasias do mundo – Mariana Rio

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TESTEMUNHA OCULAR DAS IDIOSSINCRASIAS DO MUNDO

 

Por Mariana Rio*

 

“Pensamento técnico, descasado da ética, banalidade que tanto facilita a vida, a facilidade de cumprir ordens. Mas no geral, eram homens como os outros, colocados em condições de violência generalizada, de banalização do sofrimento, dentro de um processo que abriu espaço para o pior que há em muitos de nós. Monstruosidade não está na pessoa, está no sistema. São os sistemas que geram atividades monstruosas a partir de homens banais, simplesmente homens banais.”( Hannah Arendt)

 

Que sentimentos ligam a barbárie nas cidades, a glorificação midiática das lutas sangrentas e a indiferença diante da desigualdade social na recorrente banalidade do mal das Classes Médias.

 

Hannah Arendt (1906-1975), foi uma filosofa alemã autora da expressão ¹banalidade do mal. Mais que uma expressão, é um conceito que tenta explicar, o que faz pessoas que aparentemente não tem nenhum desvio social ou psiquiátrico cometerem atos, ou calarem-se diante de atos de extrema desumanidade. O grande exemplo do estudo de Arendt, que era judia, foi o julgamento de Adolf Eichmann, alto funcionário do Terceiro Reich acusado de crimes contra a Humanidade durante a guerra.

 

No livro “Eichmann em Jerusalém” a filósofa defendeu que esse homem, um dos responsáveis pelo envio de centenas de judeus à câmara de gás, agiu segundo o que acreditava ser o seu dever, cumprindo ordens superiores e movido pelo desejo de ascender em sua carreira profissional, na mais perfeita lógica racional burocrática.

 

Segundo as conclusões do Índice de Homicídios na Adolescência divulgado no último dia 28 de janeiro, quarenta e dois mil adolescentes brasileiros, entre 12 e 18 anos, correm o risco de serem assassinados de forma violenta antes de completar 19 anos. Jovens negros e moradores do nordeste serão as principais vítimas. Segundo o levantamento, o Rio de Janeiro possui diversos municípios com altos índices de violência.

 

Os dados são alarmantes e deveriam causar uma grande comoção pública, mas o que vemos é o contrário. Com certo ar distraído, a população em geral olha notícias como essa com pouca emoção, de forma naturalizada. Mas por quê? Alguém pode dizer que estamos “anestesiados” devido à violência diária que vem pouco a pouco destruindo nossa capacidade de nos chocar e nos surpreender com ela.

 

Podemos argumentar que a naturalização da violência é algo que não tem mais volta, faz parte do sistema ²e que a banalização do mal, como o samba e outras bossas, também é coisa nossa. Podemos ficar sentados seguindo o bonde dos “anestesiados” ou se rebelar em busca da nossa capacidade de nos chocar com as mazelas do mundo.

 

Não acredito em determinismo e não tenho uma resposta correta de como acabar com a violência e combater o mal cotidiano oriundo da indiferença. Só sei que a responsabilidade de cada jovem morto de forma violenta no Brasil, deve ser encarada como um problema de todos. E uma resposta possível à violência é nós levantarmos, pressionarmos e transformarmos esse mundo num lugar mais justo e igualitário.

 

1. O Conceito de Banalidade do Mal é muito mais complexo do que foi colocado no presente texto.

2. Frase tirado do texto “A banalização do mal” de Tony Bellotto (Jornal O Globo).

 

* Mariana Rio é formada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente é aluna do curso de Publicidade Afirmativa com habilitação em Audiovisual na Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC).