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Um diálogo após o último “Diálogos ESPOCC” do ano

 

No último sábado, dia 13 de dezembro, tivemos, no Centro de Artes da Maré, o prazer de receber Marcelo Yuka, Dudu de Morro Agudo, Vinicius George, Raquel Willadino e Edson Diniz, para um debate sobre Segurança Pública e Convivência na Cidade.

 

Yuka, como provocador, aqueceu o debate entre os convidados que, depois dessa etapa,também responderam diversas perguntas das pessoas que assistiam o debate.

 

Quando falamos de segurança pública em um espaço como a Maré e trazemos para essa atividade debatedores como Yuka, diretamente afetado em sua vida por essa “insegurança pública”, Dudu de Morro Agudo representando a voz da baixada e Vinícius George, um “policial do bem”, o mínimo que pode acontecer é um festival de ideias e ideais, junto a um sonho comum de uma cidade mais segura e melhor.

 

Segundo Edson Diniz, “a gente quer que a favela fale sobre a favela”. E essa fala reverbera de uma maneira especial na medida em que entramos em um ponto do qual o Observatório de Favelas, e portanto a ESPOCC, assume como bandeira e vem, ano após ano, procurando dar visibilidade e potência a fim de superar os estereótipos que povoam a percepção das favelas e limitam a construção e efetivação de um protagonismo de seus moradores nos processos decisórios da cidade.

 

Do mesmo modo, quando Dudu de Morro Agudo aponta que “”Nova Iguaçu é a 3ª cidade mais violenta para um jovem negro viver”, é a voz de uma referência na baixada que ecoa e se faz presente, mostrando que não estamos de olhos fechados para o que acontecendo.

 

Segurança pública, era o tema central do diálogo proposto, mas vidas que não voltam e era o que havia de real sendo discutido. Esposas que perderam seus maridos, jovens que morrem antes dos 30 anos, mães que perdem seus filhos e vivem uma dor sem nome, pois não há palavra no mundo que defina a dor de uma mãe que perde seu filho.

 

Conversando com uma senhora, que trabalhava ajeitando as coisas para o lanche de confraternização e encerramento do evento, esta me expôs uma visão da vida que me tocou profundamente. Segundo ela, “não existe dor maior para uma mãe do que perder um filho. Não é de Deus, o certo é os filhos enterrarem os pais, eles nascem com essa proteção, nós mães não. É tão serio, que não tem nem nome, pensa bem… filho que perde a mãe fica órfão, marido que perde a esposa viúvo, mulher que perde o marido viúva, mas mãe que perde filho não tem nome”.

 

E são essas dores sem nome, essas vidas perdidas, essa insegurança que foi debatida e analisada.

 

No ponto de vista do Vinícius George, por exemplo, o problema “não é a ausência ou falta de política pública. É a forma como essa política é feita. E é para isso que estamos aqui. Para mudar essa política”.

 

No ponto de vista de Raquel, “precisamos conviver com as diferenças”.

 

No ponto de vista do nosso provocador, Marcelo Yuka, “é muito importante construir sua identidade, mas nada disso tem finalidade se não entendermos que cada um de nós é o outro”.

 

E você? Qual seu ponto de vista? Onde está no meio disso tudo?

 

Quanto a mim, só tenho certeza de uma coisa: a mudança começa quando a gente muda.

 

Cecilia Rosário
(Foto: Bira Carvalho)