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uma primeira reflexão no olho do furacão

Nos últimos dias, uma série de textos têm sido produzidos trazendo como tema central a questão da intolerância e do ódio propagado, segundo a maioria dos argumentos apresentados, a partir do recente processo eleitoral, extremamente polarizado e acirrado, que se concluiu com a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Realmente as reações violentas contra os nordestinos e os eleitores mais pobres, quando saiu o resultado do pleito nacional, apontam para uma tendência preocupante da sociedade brasileira. Independentemente do número de pessoas que aderem e compartilham esse tipo de discurso que prega o ódio contra nordestinos, gays, negros ou quem quer que seja, essas expressões devem ser enfrentadas cotidiana e incansavelmente, até para que não adquiram uma potência legitimadora.

Diante desse quadro, muitas possibilidades de análise se apresentam. Um viés que sempre é levantado diz respeito à disseminação desse tipo de manifestação nas redes sociais, espaço virtual onde, em tese, por conta das circunstâncias em que são veiculadas, faria com que as pessoas se sentissem mais à vontade para expressar seus preconceitos e sua intolerância de modo geral.

Ainda que a internet funcione como um espaço de comunicação onde o controle e regulação dos conteúdos se torna efetivamente difícil de serem executados, para o bem e para o mal, temos sempre que ter em mente que o espaço virtual apenas possibilita e potencializa, em certo sentido, conteúdos que compõem o corolário de ideias e visões de mundo das pessoas.

Desse modo, se as redes sociais se tornam um show de horrores, repletos de baixarias e manifestações de ódio e preconceito, é um reflexo das próprias pessoas que usam esse espaço de modo impróprio, que carregam esse mesmo ódio e preconceito e o difundem em suas páginas, linhas do tempo, sites e blogs. O problema portanto é muito maior do que uma tendência de expressão própria do espaço virtual.

Prova disso, em primeiro lugar, é a veiculação em programas de televisão e em jornais e revistas desse tipo de conteúdo e visão deturpada do processo eleitoral e da realidade como um todo. O que é muito complicado ao pensarmos que se tratam de concessões públicas que, portanto, possuem uma responsabilidade com relação ao que publica e estimula ou retrai na sociedade.

Além disso, assistimos ainda uma manifestação pública realizada em São Paulo, contando com cerca de três mil pessoas, inclusive parlamentares, onde se pedia uma intervenção militar para impedir a posse da presidente recentemente reeleita.

Em certo sentido, por mais que a gente evite dar destaque para esse tipo de coisa, até para não colaborar com sua divulgação e alcance, é impossível não se indignar e ao mesmo tempo não temer a propagação desses ideais fascistas. O que vivenciamos nos últimos dias é muito grave e merece nossa atenção, tanto no sentido de repudiar e condenar publicamente esses atos, quanto abrir nossos olhos e nos organizarmos para contribuir, cada um a nosso modo, para a propagação de ideais pacíficos, de tolerância e de respeito à diferença. E essa atenção vale tanto para indivíduos notoriamente fascistas, como também entre nós, para que não alimentemos esse tipo de lógica e pensamento e, pelo contrário, estimulemos a produção de visões de mundo inclusivas, com respeito às premissas democráticas e ao convívio social entre diferentes sujeitos e práticas e modos de ser e estar no mundo.

Se as redes sociais serviram ou não como usina para esse quadro, eu não sei dizer, mas o fato é que os adeptos desses discursos de ódio e intolerância resolveram ir para as ruas e abandonaram o conforto e segurança proporcionado por seus tablets, desktops e notebooks.

A história já nos deu lições de como esses movimentos são perigosos. E, pelo modo como a direita e o pensamento conservador se fez representar politicamente nas últimas eleições parlamentares, o momento é de atenção redobrada e muito trabalho pela frente – para todos nós que acreditamos em um mundo mais justo, fraterno e solidário.